Polêmica: A decadência do Gnome?
Quarta-feira/11 - Junho/2008
O que está acontecendo com o projeto Gnome? Por que muitos falam em decadência nesse ambiente de desktop, que já foi (e ainda é) um dos mais utilizados pelos usuários Linux? Atualmente, a maior parte dos esforços no projeto Gnome está voltada cada vez mais à manutenção desse ambiente. Por um lado, isso é bom: com toda essa infra-estrutura técnica voltada à manutenção, cada vez mais aumenta a integração do sistema com outros projetos de softwares, e todos sabem que o aumento da integração do sistema leva a uma maior aceitação por parte de todos os usuários, principalmente pelos novatos, que buscam em um ambiente de desktop a constante facilidade de uso.
Por outro lado, as novidades lançadas não têm grande impacto. Como exemplos, temos um diálogo de impressão, uma nova biblioteca de imagem, entre outros. O projeto Gnome também passa por alguns apuros, como o desenvolvimento sem direção do projeto Evolution, sua vedete no que tange aos clientes de email. Sua aceitação como cliente acaba variando de distribuição em distribuição — em algumas, as melhorias são fantásticas, em outras, as piores. Ele acaba, na média, funcionando de forma adequada. E por que o Evolution varia tanto em funcionalidade dentro das distros? O projeto perdeu as rédeas do desenvolvimento desse programa a ponto de não haver uma padronização de boa funcionalidade dentro de cada Linux? Outro ponto interessante a respeito do Gnome, que não foi mencionado no artigo original, é em relação à performance. O KDE é visto pelos usuários como um consumidor de memória menos voraz que o Gnome. Em termos abstratos, o KDE seria mais leve.
Ao que parece, o projeto Gnome não está seguindo uma trilha evolucionária sadia. Quais escolhas o levaram a esse direcionamento? O caminho escolhido era favorável na época e simplesmente não se mostrou viável? É tarde demais para voltar atrás e tomar outro rumo? Um caminho interessante para um futuro mais sadio do Gnome estaria na integração completa de seu ambiente de desktop via Web. Talvez aprender com seus concorrentes do mundo de Código Aberto e (por que não?) com os de código fechado…. A integração com a Web parece meta nativa de todo o mercado digital. Num mundo no qual se profetiza que até sua geladeira se integrará a Web, por que não ter um ambiente de desktop totalmente integrado?
Mas, por outro lado, temos distribuições de grande impacto que adotam o Gnome, como principal (ou seria melhor dizer, único) ambiente de desktop. Preciso citar como exemplo o Ubuntu? Não me parece que eles se importem com a decadência “desktopiana” desse ambiente (para adjetivar o problema de vez). A nova versão do Ubuntu, a segunda a ter LTS (Long Term Support ou suporte estendido), utiliza o Gnome versão 2.22. Essa versão é rápida, leve e de fácil uso. Além disso, não lembro de ter visto nenhum usuário reclamando sobre seu desktop. Críticas infundadas? Ou o Ubuntu fez seu próprio tunning Gnome?
Deixo claro que não concordo totalmente com o texto acima, e que este post é um “cópia” clara do que foi publicado no site da Linux Magazine em http://www.linuxmagazine.com.br/noticia/a_decadencia_do_gnome
Outras notícias relacionadas:
http://osysnews.wordpress.com/2008/06/11/gnome-in-the-age-of-decadence/
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1.
Leandro | Quinta-feira/12 - Junho/2008 at 10:20
Memphyx,
Descorda por que ?
Tenho experimentado o KDE 4 e te digo que estou achando ele bastante leve e começando a considerá-lo.
O Gnome começou a me gerar uma rusguinha de descrédito quando o ICASA começou a enfiar o MONO nele. Cara, pq o cara não apóia e desperdiça toda a sua bela capacidade intelectual no Python por exemplo ? Esta parada do .NET no Linux, não sei não hein, isto eu é que não concordo.
Parabéns pelo Blog e viva a nossa comunidade ArchLinux !.
2.
RoobZ | Sexta-Feira/13 - Junho/2008 at 11:50
Engraçado ler isso. Uso o Gnome anos depois de ter escolhido racionalmente entre ele e o KDE (apos meses usando os dois).
Hoje estou pensando seriamente em trocar pelo KDE, devido principalmente a 2 motivos:
1- Quando mais você vai se aprofundando no universo do software livre, começa a levar em consideração algumas outras coisas que não só as técnicas e, realmente, depois que li e identifiquei várias atitudes do Miguel de Icasa, com as quais realmente não enxergo com bons olhos, começei a rever alguns conceitos. Será realmente que quem sempre lutou por algo será esse herói obrigatóriamente por toda vida? Não existe o perigo de Luke Skywalker realmente tornar-se Darth Vader?
2- É verdade, o KDE 4 está muito bom. E até com relação a velocidade, percebo que para iniciar ele leva um pouco mais de tempo do que o Gnome, mas quando está carregado, as aplicações iniciam de uma forma bem mais rápida.
É muito bom ver o avanço e a melhora de um projeto tão forte quanto o KDE, assim como é horrivel e triste perceber que um projeto tão forte quanto o Gnome está perdendo o caminho.
Sempre é bom ter muitas opções de boa qualidade a sua escolha. É mais justo e mais divertido
3.
memphyx | Sexta-Feira/13 - Junho/2008 at 20:48
Olá Leandro!
Bem, eu disse que não concordava completamente, e não que discordava do texto. rss
O que a um tempo passado eu via com bons olhos no Gnome, era o fato deles estarem e conseguirem buscar uma certa “padronização” de organização em busca da usabilidade do cara em frente ao monitor.
Posicionamento de menus, caixas de diálogos, teclas de atalho… entre outras… isto é muito bacana e foi um passo e tanto, pena que pararam por ai; e desde então, nada mudou!
Enquanto isto, o pessoal do KDE sonhou alto e buscou inovação, e claro, com muitas críticas construtivas e destrutivas, tivemos bons resultados e ainda continuam buscando melhores resultados.
Roobz, sempre achei engraçada aquela guerrinha santa entre KDE vs Gnome, onde muitos mitos foram criados, e um deles foi o motivo da criação do Gnome: – o medo do licenciamento duplo da QT – este sim, foi o inicio de muitas guerras, e de muita divisão na comunidade de desenvolvedores, e fazendo com que para muitos, a “padronização” parecer inalcançável – e o pior, me deixei influenciar por ela também! rss – Sempre preferi o KDE. :p
Uns preferiam Slackware por vir por padrão o KDE, outros o RedHat por escolherem Gnome… como aquela típica infantilidade “do meu é maior que o seu”, e que o Icaza ajudou a fomentar e/ou agradar Stallman e cia com o GTK.
Bem… a QT, quando usada para o software livre, proteje muito mais o software que a GTK e hoje em dia isto é fato, mas não quero mudar o foco da discussão.
Com o KDE 4, e mesmo com a série 3.5.x, a batalha pela preferência dos olhares esta mais favorável ao KDE que ao Gnome. O que concordo no texto é que o que ainda mantém uma certa popularidade do Gnome, é que distros como Ubuntu e Fedora Core fazem um conjunto de patchs para suas releases e que com até certo requinte, mas se não mudarem o curso em que o rio o querem lhes levar, em breve não terá muito o que mudar para evitar uma situação crítica para a melhora do projeto.
Gnome Office, bem… deixa prá lá!
4.
Henrique | Quarta-feira/6 - Agosto/2008 at 11:39
O HIG (Human Interface Guidelines) do Gnome é o ponto mais forte desse ambiente. Toda a interface é clara e intuitiva, e essa é uma cultura que existe durante o ciclo 2.x todo, o que torna o ambiente homogêneo. Não existia algo semelhante no KDE, só a partir do KDE 4 começaram a focar em HIG (http://usability.kde.org/hig/).
Além disso, o fato do ciclo 2.x existir há bastante tempo, garante estabilidade das APIs, ou seja, quem faz software para terceiros, fica assegurado de que o Gnome não vai quebrar a compatiblidade durante um bom tempo. Já o KDE 4 reescreveu quase tudo e quebrou muita compatibilidade, o que causa várias regressões, que vão levar bastante tempo para suprir (até que fiquei no nivel do KDE 3.9.x). Isso por um lado pode ser bom, por atualizarem a arquitetura, mas por outro, é horrível pra quem desenvolve software terceirizado, pois existe o medo de que a compatibilidade quebre a qualquer momento.
Quanto ao Mono… o pessoal tem um pânico insensato em relação a qualquer coisa que tenha se originado na Microsoft. Mas caso não saibam, a especificação do .NET (CLI) foi divulgada quando este foi desenvolvido, permitindo a qualquer um desenvolver seu próprio runtime compatível para a plataforma .NET (assim como a plataforma Java). Icaza e outros pegaram essa oportunidade e escreveram um runtime compatível, o Mono, e integraram com a Gtk. O Mono é uma ótima plataforma para quem sabe C#, torna muito mais produtivo o desenvolvimento no ambiente Gnome do que utilizando C puro, e ótimos aplicativos tem sido feitos nele (dê uma olhada no Banshee 1.0). Portanto, desdenhar o Mono sem saber como ou porquê ele surgiu, e falar mal porque foi inventando na Microsoft, é burrice. Muita coisa foi inventando na Microsoft e hoje é adotada em larga escala, vide AJAX, que só é possível pelo supporte ao método XMLHttpRequest que surgiu, primeiro, (adivinha só?) na porcaria do IE.
Quanto a decadência, realmente, o Gnome está no final do seu ciclo de vida. Todo software tem um ciclo de vida, em que conforme o tempo passa a sua plataforma fica “engessada” e você passa a fazer apenas correções. O que deve ser buscado agora é uma migração gradual para novas tecnologias, o que já está ocorrendo de certa forma, como o GVFS, biblioteca para abstrações de sistema de arquivos, que já dá suporte ao FUSE, que substitui o antigo GIO, ou a biblioteca Clutter, que tem permitido criar widgets acelerados via OpenGL… enfim, melhoramentos graduais.
Então fica aí minha opinião, de quem conhece as internas do Gnome, pra vocês terem dados para criticar, ao invés de se basear em hipérboles como “Mono sucks”.
Abraço